domingo, 8 de junho de 2014

E que nada seja por acaso


“Eles se amam. Todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossível. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é difícil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso.”
— Tati Bernardi

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Cálculo perdido


Perdi a conta de quantas vezes pensei em desistir.
Perdi a conta de quantas vezes deixei meus sonhos de lado.
Perdi a conta de quantas vezes tentei fugir, levando apenas o coração ferido.
Perdi a conta de quantas vezes senti o peso do mundo em minhas costas e não tive com quem dividir.
Perdi a conta de quantas vezes me senti completamente só.
Perdi a conta de quantas vezes falar de nada adiantou.
Perdi a conta de quantas vezes perdi a batalha e a esperança.
Perdi a conta de quantas vezes a depressão foi mais forte que eu.
Perdi a conta de quantas vezes tentei conter as lágrimas e fingi ser forte.
Perdi a conta de quantas vezes mais pedi do que agradeci a Deus.
Perdi a conta de quantas vezes tentei recomeçar.
Perdi. Perdi  várias vezes. Perdi muito.
Mas continuo amando demais.

Eu precisava. Precisei.


Entenda.
Eu não estava fugindo. Eu só precisava caminhar. Ficar sozinha. Andar e andar. Deixar o frio que sentia por dentro se juntar com o que começava a tomar conta do meu corpo. Me acostumar. Eu só queria, só precisava ir. Quieta, em total silêncio. Chorar. Libertar as lágrimas. Desaguar. Transbordar. E aprender que o amor não morre afogado.

Eu não sinto muito


Eu não sinto muito. Eu sinto tudo. Eu me importo. Isso tudo é horrível, eu sei. Nada me convence de que não é minha culpa. De alguma forma, sei que atrapalhar. Eu sou um peso inútil que você não deve mais carregar. Pode me soltar. De verdade.Se bem que, acho que sou eu que estou te prendendo. Segurando suas asas. Pode voar agora. Pode ir. Sei que alcançará distâncias que nunca imaginamos. Tudo bem. Se eu soubesse voar, também voaria. Me esqueci como é. Já faz tanto tempo que perdi minhas asas. Sei que vou enlouquecer um pouco ao te ver partir. Mas vai ficar tudo bem. Não posso ficar muito perto agora. Estou sufocando. Estou há muito tempo prendendo a respiração. Tudo para não perder o controle e sair gritando por aí o quanto te amo. Felicidade não é pra todo mundo e ambos sabemos que um de nós vai sofrer mais que o outro. Ao menos eu pude conhecer o amor, ver, sentir. Só não nasci pra vivê-lo. Não plenamente. Mas repito vai ficar tudo bem. Acredite. O amor não é um contrato. Não podemos simplesmente rasgar e tudo se resolve. Ele sempre vai existir. O nós é que não existe mais. Agora é singular. Ou um nó. Eu continuo te agradecendo por tudo e não, isso não é uma despedida. Me recuso a me despedir de você. É só meu jeito de dizer que aqui dentro, nada muda. Te amo pra sempre.


terça-feira, 3 de junho de 2014

Nossa certeza

"Já tentei calcular o meu valor.Mas sempre encontro o sorriso e o meu paraíso é onde estou."- O Teatro Mágico


Meu calendário deve estar com algum defeito. Os dias, as semanas tem passado rápido demais. Mal terminei de pagar as contas do mês passado e já está na hora de pagar as desse mês. Pra quase tudo o tempo passa voando. Parece que foi ontem que te conheci. Parece que foi ontem que nos abraçamos. Ainda sinto o gosto do teu beijo, ainda sinto o teu cheiro. E ao mesmo tempo, parece que vivemos uma vida inteira juntos. Nossa eternidade. Me dizem que devo te esquecer, te ignorar, me afastar, que não devo sentir tua falta e se sentir, fingir que não senti nada. Impossível, mas ninguém entende, ninguém aceita. Mas, eu sinto. Eu sinto muito. Não posso acreditar que negar o que sinto seja uma forma de me valorizar. E de que valor as pessoas falam? Quanto vale uma pessoa? Tem mais valor quem finge, mente e disfarça o que sente? Uma pessoa com sentimentos vale mais ou menos do que as que não tem? Esses cálculos eu não sei fazer. O que sei mesmo, é que amo. Amo, amo e amo. E penso nele todo o tempo. Ele se encaixa em mim de todas as maneiras. O beijo, o abraço, as palavras... A gente se encaixa no mesmo ritmo. E também acreditamos na mesma certeza: nosso amor é para sempre.

Dança e tecnologia







Um espetáculo fascinante, de dança, tecnologia, luzes, técnica e harmonia. 
Encantada!
Vale a pena assistir!!!
Se concordarem, comentem!

Maldita mania de viver no outono


“Ainda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata, trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel, por essa maldita mania de viver no outono.”
— Luís Fernando Veríssimo 


Talvez



"Talvez eu deva ser forte
Pedir ao mar
Por mais sorte
E aprender a navegar"


- Mallu Magalhães

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Eu sempre fui sua


“Escapou ali um beijo na orelha e uma mão que quis esquentar a outra. Mas a gente correu pra fazer piadinha sexual disso, como sempre. E você olhou do corredor e me perguntou: não to esquecendo nada? E eu quis gritar: tá, tá esquecendo de mim. E você depois perguntou: não tem nada meu aí? E eu quis gritar: tem, tem eu. Eu sempre fui sua. Eu já era sua antes mesmo de saber que você um dia não ia me querer. Mas a gente combinou que não era amor. É o que está no contrato. E eu assino embaixo. Melhor assim. Tô super bem com tudo isso. Nossa, nunca estive melhor. Mas não faz isso. Não faz o mundo inteiro brilhar mais porque você é bobo.Não faz o mundo inteiro ficar pequeno só porque o seu jeito é o melhor. Não deixa eu assim, deslizando pelas paredes do chuveiro de tanto rir porque sua voz fica ridícula brava. Não transforma assim o mundo em um lugar mais fácil e melhor de se viver. Não faz eu ser assim tão absurdamente feliz só porque eu tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é por acaso. Combinamos que não era amor e realmente não é. Mas esse algo que é, é realmente muito libertador. Porque quando você está aqui, ou até mesmo na sua ausência, o resto todo vira uma grande comédia. E eu tenho vontade de ligar pra todos os outros e falar: putz, cara, e você acha mesmo que eu gostei de você? Coitado. Adoro como o mundo fica coitado, fica quase, fica de mentira, quando não é você. Porque esses coitados todos só serviram pra me lembrar o quão sagrado é ser absurdamente feliz mesmo sabendo a dor que vem depois. O quão sagrado é ver pureza em tudo o que você faz, ainda que você faça tudo sendo um grande safado. O quão sagrado é abrir mão de evoluir só porque andar pra trás é poder cruzar com você de novo. Não é amor não. É mais que isso, é mais que amor. Porque pra te amar mais, eu tenho que te amar menos. Porque pra morrer de amor por você, eu tive que não morrer. Porque pra ter você por perto, eu tive que não querer mais ter você por perto pra sempre. E eu soquei meu coração até ele diminuir. Só pra você nunca se assustar com o tamanho. E eu tive que me fantasiar de puta, só pra ter você aqui dentro sem medo. Medo de destruir mais uma vez esse amor tão santo, tão virgem. E eu vou continuar me fantasiando de não amor, só pra você poder me vestir e sair por aí com sua casca de não amor. E eu vou rir quando você me contar das suas meninas, e eu vou continuar dizendo “bonito carro, boa balada, boa ideia, bonita cor, bonito sapato”. E eu vou continuar sendo só daqui pra fora. Porque no nosso contrato, tomamos cuidado em escrever com letras maiúsculas: não existe ninguém aqui dentro. Mas quando, de vez em quando, o seu ninguém colocar ali, meio sem querer, a mão no meu joelho, só para me enganar que você é meu dono. Só para enganar o cara da mesa ao lado que você é meu dono. Eu vou deixar. Vai que um dia você acredita.”
— Tati Bernardi.