quarta-feira, 30 de abril de 2014

Quem me dera...


“Quem me dera estar ao ar livre. Quem me dera ser de novo aquela criança, meio selvagem, audaciosa e livre… e rir das ofensas em vez de me preocupar com elas! Por que estou tão mudada? Por que ferve o meu sangue com tanta facilidade com umas míseras palavras?”

— O Morro dos Ventos Uivantes







Vai... Dê meia-volta e volta

"Gigante, miúda, me reanima
Liberta o instante, revigora

Se o acaso nos distanciar
E a sorte nos fechar a porta
Releve o que não importa
Vai...
Dê meia-volta e volta

Coração pulsa por saber
Almeja ser razão e ser capaz
Permita experimentar
A soma de você comigo é mais...."

Partilha- O Teatro Mágico

terça-feira, 29 de abril de 2014

Só mais uma noite


“Eu sou um bocado sensível demais…”
— Clarice Lispector. 



Fica. Fica um pouco mais. Fica perto. Diz bem pertinho aquelas palavras que só você sabe dizer. Diz o que é necessário pra que eu fique de pé. Me faz acredita que posso me levantar, que posso seguir adiante. Segura a minha mão. Tá tudo rodando, rodando... a cabeça não para... a febre aumenta... delírio... razão... Não me solta essa noite. Não posso resistir sem você. Não posso me cuidar essa noite. Vem! Me cuida você.



Dia da Dança

Decidi não falar sobre essa arte  maravilhosa.Apenas imagens e meu imenso amor.





*Apresentação no Sarau Junto e Misturado, com minha flor Yasmin Silva, dona do http://apenasumaamadora.blogspot.com.br/

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Sinto muito

“Sentir falta é diferente de sentir saudade. A saudade bate, agonia, estremece. A falta congela, chora, entristece. A saudade é a certeza que a pessoa vai voltar. A falta, é o querer ter de volta, mas saber que não vai ter.”
— Tati Bernardi.  


Sinto falta. Sinto saudade. Sinto. Não quero uma vida incompleta. Não quero que se sinta assim. Sinto falta de ouvir tua voz, mas às vezes sinto medo de te ligar, receio, do que vou ouvir, do que vou dizer. Nossas conversas são sempre tão imprevisíveis. Sinto saudade de mim. Às vezes parece que nem sei mais quem sou. Sinto saudade de ouvir você dizendo que vai ficar tudo bem. Sinto falta de tudo em você. Sinto saudade de nós. Sinto falta. Sinto saudade. Sinto.
Sinto muito. 
        

"Não deixe portas entreabertas. Escancare-as ou bata-as de vez. Pelos vãos, brechas e fendas passam apenas semiventos, meias verdades e muita insensatez."

domingo, 27 de abril de 2014

Talvez


Todos os dias tomo milhares de decisões sobre nós. Só hoje foram centenas. Digo e repito agora é pra valer inúmeras vezes. De nada adianta. Penso que nada vai funcionar e que nenhuma decisão é certa. Continuo na mesma. Não saio do lugar. Talvez a felicidade esteja bem perto, me esperando. Mas não consigo sair do lugar. Insisto em pensar que a felicidade ainda seja ao teu lado. E este pensamento me prende aqui. Você me disse que é melhor sair e fingir um sorriso, mas não consegui. Fiquei a chorar mais uma vez. Você também não saiu. Mas sei que em algum momento, para outro olhar, você sorriu. Talvez ria de mim também. Parada no tempo. Talvez ria de si mesmo. Perdido no tempo. Talvez. Talvez. Talvez fique. Talvez volte. Talvez ame. Talvez esqueça. Talvez durma. 
Boa noite amor.

Pra você, por inteiro

Noites brancas


“Há momentos em que sinto tal tristeza, tal espanto… Nesses momentos chega a parecer-me e até começo a acredita-lo, que já não poderei iniciar nenhuma vida nova, pois já por mais de uma vez tive a impressão de que perdia todo o sentimento e toda a sensibilidade para tudo quanto é realidade e vida verdadeira; porque eu me amaldiçoei a mim mesmo; porque às minhas noites fantásticas se seguem momentos de prostração que são terríveis. E para além de tudo isto acabamos por sentir que as massas humanas se agitam à nossa volta em ruidoso tropel, ouvimos e vemos como vivem as criaturas: o que se chama viver, viver de verdade e acordado, e chegamos a verificar que a nossa vida não obedece à nossa vontade, que a nossa vida não se deixa moldar como um sonho, que eternamente se renova e fica eternamente jovem, e nela nenhuma hora é igual à que se segue, enquanto a horrível fantasia, essa nossa força de imaginação, acaba por ficar desconsolada e suscetível, e monótona ate à vulgaridade, escrava das primeiras nuvenzinhas que de repente cobrem o sol e oprimem numa dor amarga o nosso coração que tanto ama esse mesmo sol. E até na própria dor, que fantasia! Sentimos que, por fim, essa mesma fantasia que parece inesgotável, há de esgotar-se na sua eterna tensão, pois nos vamos tornando mais viris e amadurecidos, e superamos os nossos antigos ideais, que se desvanecem e se reduzem a palavras e a pó. E se depois não houver outra vida, temos de nos pôr a reunir os restos desse entulho para com eles voltarmos a refazê-la. E contudo a nossa alma reclama e anseia por alguma coisa completamente diferente. E em vão o sonhador remexe nos seus antigos sonhos, como se ainda procurasse no rescaldo uma centelha, uma só, por pequena que fosse, sobre a qual pudesse soprar, e com a nova chama assim ateada aquecer o coração enregelado e voltar a despertar nele o que dantes lhe era tão querido, o que comovia a nossa alma e nos arrebatava o sangue, aquilo que fazia subir as lágrimas aos nossos olhos e que era uma ilusão tão bela.”
— Fiódor Dostoiévski

Nada

Culpado é quem vai embora ou quem fica?

Se você me culpar por ter permitido tua ida, eu posso te culpar por ter desistido de nós.
Mas existe essa culpa? Somos culpados pelas atitudes que o outro tomou ou pelas nossas?
Sinceramente, não cometemos nenhum crime. Logo, não podemos ser culpados. E também, de que adiantaria? Não podemos voltar no tempo, não é mesmo?
Não podemos tantas coisas... Nos negamos... Não nos permitimos...
Também não aceitamos a realidade. Estamos sempre tentando ter um pouco mais do que podemos, do que devíamos.
Nada é certo. Nada está definido. Nada te completa.
A resposta pra tudo que você precisa é a palavra que mais evitamos usar. Nada. E mais uma vez saio perdendo. Pois nem isso sou.
Sou apenas metade de quase nada.