A noite está só começando e eu continuo aqui, com meu pijama de borboletas e minhas meias quadriculadas. Eu sei que não combinam. Só minha mãe que não sabe. Vinhe e seis dias após o acidente, começo a me sentir horrível. Há alguns dias minha mãe foi a minha casa buscar algumas coisas, e trouxe várias peças de roupas que não conversam entre si, nenhum dos meus produtos de limpeza facial, nem minha maleta de maquiagem. Tá certo que não vou a lugar nenhum, então não preciso da maleta. Mas só porque na minha bolsa tem um kit básico, que de tão básico, está sem meu apontador duplo, e a ponta do meu delineador já se foi. Normalmente as pessoas não acreditam na minha idade porque eu me cuido, e não por milagre. Gosto de fotografar sem filtro e sem make, mas pra isso cuido da minha pele. Ou cuidava. Sim, tô estressada. Não posso andar, não posso dançar, não posso beber e não posso ficar sozinha lá na minha casa, na minha cama, olhando para os meus cactos na janela. Minha alergia gosta daqui, e já veio me visitar. Só quero ir pra casa. O tempo está passando e eu me vejo aqui, parada no tempo, surtando. Posso ter exagerado nas feminices, mas sou eu. Sou exagerada. E para piorar estou há 26 dias longe da civilização. Queria ter alguém a quem eu pudesse gritar por socorro.
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quarta-feira, 12 de agosto de 2015
sábado, 30 de maio de 2015
Metáfora
Metáfora - Lola Tavares
Composição de Pedro Guerra
De repente eu não tente ou deva te procurar
De repente eu sou enfeite da tua sala de estar
Ou então eu sou o panfleto que você ignora na rua
De repente você só queria se embriagar
De repente o meu coração era open bar
Ou então eu era um tango e você só queria sambar
De repente eu sou a roupa que você não quis ter
De repente eu sou o refrão que não gruda em você
Ou então aquela rima que não quis aprender, pra quê?
Pra quê?
Meu bem, cadê você?
Foi se esconder
E não aparece há uma semana
Eu sei, não é normal
Fingir que esta igual
Mas é assim quando se ama
De repente eu sou o filme que você não quer ver
De repente eu sou um milkshake sem nem bater
Ou então eu sou um alfabeto sem ABC, ninguém lê
De repente eu sou o carro que não tem mais motor
De repente eu sou o remédio que não cura tua dor
Ou então mais uma música que só fale de amor e rancor
Meu bem, cadê você?
Foi se esconder
E não aparece há uma semana
Eu sei, não é normal
Fingir que esta igual
Mas é assim quando se ama
De repente eu não sou nada, nada, nem metáfora
De repente você nem viu ou sentiu que partiu
De repente eu sou o jornal que não noticiou
De repente eu não sou a tua favorita cor
Ou então eu apenas não fui, não serei e não sou
E não sou
De repente eu sou alguém que você já esqueceu
De repente você finja que nada aconteceu
Ou então você vá ouvir essa canção e lembrar que você me perdeu
sábado, 9 de maio de 2015
A noite - Tiê
Palavras não bastam, não dá pra entender
E esse medo que cresce e não para
É uma história que se complicou
E eu sei bem o porquê
Qual é o peso da culpa que eu carrego nos braços
Me entorta as costas e dá um cansaço
A maldade do tempo fez eu me afastar de você
E quando chega a noite e eu não consigo dormir
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na mão
Pro tanto que eu te queria, o perto nunca bastava
E essa proximidade não dava
Me perdi no que era real e no que eu inventei
Reescrevi as memórias, deixei o cabelo crescer
E te dedico uma linda estória confessa
Nem a maldade do tempo consegue me afastar de você
Te contei tantos segredos que já não eram só meus
Rimas de um velho diário que nunca me pertenceu
Entre palavras não ditas, tantas palavras de amor
Essa paixão é antiga e o tempo nunca passou
E quando chega a noite, e eu não consigo dormir
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na mão
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