segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Sou mais espinho que flor


Não acredito que ainda exista a possibilidade de ser plural. Derrubar o muro que construi e sustento por tanto não parece opção. Venho aperfeiçoando técnica para afastar e manter bem longe qualquer um que tente se aproxime. Sempre me lembrando que "se não vai dar certo, pra que tentar?". recusar e ignorar tentativas de aproximação. Talvez eu devesse colocar uma placa escrito: cuidado, veneno. Acho que combina. Se quer se envolver, se arriscar, se apaixonar, não se aproxime. Não sei lidar com isso. Sou mais espinho que flor. Não se engane. Não vale a pena tentar juntar meus pedaços. Insistir e desistir são palavras muito parecidas. Não fui sempre assim. Nem sempre pensei assim. Só deixei de acreditar.

Entre o silêncio e as lágrimas


Eu choro nas noites em que te faço rir e choro nas noites em que fico ao teu lado até você dormir. Te faço companhia daqui da minha solidão até você dormir sorrindo. Alivio tua dor enquanto você não pode ver minhas lágrimas. Enquanto você não vê, o travesseiro guarda minhas dores. E eu continuo aqui, em silêncio por dentro e cheia de palavras doces nas pontas dos dedos. 
Por você.

domingo, 9 de agosto de 2015

A estrada

Eu sempre gostei de viajar. Quanto mais longa a viagem, melhor. Observar a paisagem mudar, as placas na rodovia, as pessoas com seus diversos desejos de chegar, de voltar, buscar e fugir. Viajar.
Minhas mochilas são minhas bolsas preferidas. Tenho uma escova de dentes em cada necessaire. E vários produtos em miniatura pra economizar espaço, já que só carrego o que suporto carregar. Comecei a viajar ainda criança e já errei muito carregando peso desnecessário.
Também já me mudei diversas vezes. Se não perdi as contas já foram quase vinte casas. Já tive vizinhos incríveis e vizinhos insuportáveis. Vários colégios. Muitas histórias. Conheci um hippie que pra agradar a esposa tentou se fixar em uma cidade. Ele era uma das pessoas mais inteligentes que já conheci. E em poucos meses convenceu a esposa e o filho que a estrada era o melhor lugar pra se viver. Aprendi muito com ele. e nunca mais o vi.
Eu gosto de não saber o que me espera na próxima curva da estrada. O mundo é grande demais pra passar a vida num lugar só.
É bom ter um lugar pra voltar. Amo minha cama, mas a estrada sempre me atrai.
Vou continuar sonhando que em breve minhas pernas vão estar funcionando e vou poder cair na estrada novamente.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Monólogo

monólogo
substantivo masculino
  1. 1.
    teat cena de peça em que o ator, achando-se só, fala consigo mesmo ou se dirige ao público, expressando seus pensamentos, as lutas interiores do seu espírito etc.
  2. 2.
    teat peça escrita para um único personagem; monodrama.




Insuportável. Essa deve ser a palavra que quem me ouve e quem me lê usa para me definir.
Como suportar alguém que está sempre falando sobre esse amor infinito que só ela sente e acredita?
É, sou insuportável. Eu sei.
As pessoas que me "suportam" são as mesmas que assistem filmes e séries repetidamente, decorando falas e não se cansando dos personagens. Essa é a única explicação.
Não é que eu não entenda ou não aceite um fim. É que não tem fim. Não acabou. É amor. Não acaba assim. 
Eu não sou do tipo que sabe recomeçar. 
Eu não posso mudar uma descrição que ainda é verdadeira. Ou apagar uma declaração porque ninguém vai ler ou se importar. Eu sinto. Eu me importo. Eu amo. 
É a minha história. 
“E se você odiar a minha história, desculpe, ela não foi escrita pra você.”
— A Cabana.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Só queria estar lá

“O banco da praça conhece as histórias de amor de todo mundo.”
— Renascendo


Por diversas vezes, voltei ali, Sentei na praça e fiquei observando as árvores, o céu, as folhas no chão, o tempo. Por diversas vezes, voltei. Voltei a minha procura. Sim, procurava a menina encantada por um amor tão perfeito, procurava a menina que havia encontrado tudo o que precisava para seguir em frente, procurava você. Por diversas vezes passei horas sozinha a espera de tudo e a encontrar o nada. Eu sabia que era só o que encontraria, mas sempre voltava. Sei que jamais estará lá a minha espera, mas hoje tudo o que eu queria, era poder caminhar até a nossa praça e esperar você chegar sorrindo.




terça-feira, 28 de julho de 2015

O mundo e suas obrigações sociais me irritam.


Há 11 dias sofri um acidente. Estava de moto com meu primo quando ele perdeu o controle da direção, derrapou na pista e bateu no canteiro. Com o impacto, fui arremessada para o outro lado da pista. Tive várias escoriações pelo corpo e uma luxação no joelho que agora é uma suspeita de lesão no menisco direito. Já tive uma lesão no esquerdo em 2000 e sei bem como é e como será a partir de agora. Sem dançar, sem trabalhar, dependente dos outros pra quase tudo. Pra um ser anti-social como eu isso já é difícil. Sendo bailarina, isso só piora. Não suporto visitas indesejadas e suas perguntas inconvenientes. Amigos, esse sempre são boas companhias. Só não dá pra colocar um segurança na porta da casa dos meus pais pra decidir quem entra e quem não. E sou obrigada a passar muito tempo aqui, já que moro sozinha e não posso me movimentar. Tenho que cumprir o tal repouso absoluto pra ajudar no tratamento e porque sinto dores quase insuportáveis. E de dor eu atendo. Tá tudo muito confuso, muito difícil e estou tentando ser forte e não me abater. Não está sendo nada fácil. Não mesmo. E agora seria aquele momento em que digo a solução, ou que vai ficar tudo bem, ou coisas positivas. Mas sou eu. e não quero dizer mais nada.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

eu não suporto



“Arranca metade do meu corpo, do meu coração, dos meus sonhos. Tira um pedaço de mim, qualquer coisa que me desfaça. Me recria, porque eu não suporto mais pertencer a tudo, mas não caber em lugar algum.”
— José Saramago.  

"Quando suas pernas não estiverem do jeito são agora..."

"Quando as pernas não se parecem com eles costumavam antes E eu não posso varrê-lo fora de seus pés Será que a sua boca ainda me lembro do gosto do meu amor Será que seus olhos ainda sorriso de seu rosto "



Vontade de dançar, vontade de estar com você. Vontade de fazer tudo que o acidente não me permite fazer. Dói o corpo. Dói o coração. Dói não aceitar a condição atual em que me encontro. Ter fé e sorrir. Difícil. 


domingo, 5 de julho de 2015

Quero ir


São filmes novos, filmes antigos. Novos e antigos amigos. Dias, horas, sorrisos, músicas. Tantas coisas.  É a vida acontecendo. A vida não pára. A dor não pára. O amor não pára. Tudo tem sido estranho, cruel. Eu tento ficar bem. Tento parecer bem. As vezes até consigo. Mas no final do dia, só sinto um imenso vazio. Como se estivesse vivendo uma mentira. Porque? Pra que? Não encontro sentido. Apenas continuo chorando e suportando, a dor e a saudade. É tudo superficial, e não é nenhum paraíso. A certeza ainda é a mesma, não quero ficar.